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Trabalho, estudo e dedicação na história de um café campeão

Ao centro, Deyvid e a esposa, com o Presidente da Expocacer, Fernando Beloni, e a Vice-Presidente, Mariana Heitor (Arquivo Pessoal)
Ao centro, Deyvid e a esposa, com o Presidente da Expocacer, Fernando Beloni, e a Vice-Presidente, Mariana Heitor (Arquivo Pessoal)

Primeiro Leilão internacional da RCM movimentou mais de US$ 49 mil. Trajetória do produtor do café mais valorizado começou aos 10 anos de idade

 

De provador de qualidade a produtor do café mais valorizado no primeiro leilão internacional da Região do Cerrado Mineiro. A história de Deyvid Oliveira na cafeicultura começou na infância. Com 10 anos, Deyvid Oliveira viveu sua primeira experiência na cultura, ao lado do avô, na Fazenda Esperança, em Campos Altos. O garoto cuidava do plantio, ajudava no terreiro e nos processos de secagem dos grãos. Aos 12, foi trabalhar em um armazém, onde ficou por cinco anos provando e classificando. Com a maioridade, mudou-se para o Canadá e conquistou novos conhecimentos. Lá, formou-se em Comércio Exterior e, de volta ao Brasil, entrou para o quadro de especialistas da Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer), onde ampliou seus conhecimentos e criou novas conexões. Após a passagem pela Cooperativa, Deyvid começou a vender café para clientes do Canadá, Estados Unidos e Inglaterra. Tornar-se um campeão reconhecido é resultado de muito estudo e trabalho.

A saca de café mais valorizada no primeiro leilão internacional da Região do Cerrado Mineiro, alcançou a marca de US$ 13 mil. A iniciativa da Federação dos Cafeicultores do Cerrado chegou a US$ 49.055,34, valor equivalente a R$ 242.823. Deyvid Oliveira obteve o maior preço, pago ao vencedor da categoria Fermentação Induzida, pela importadora Orange Brown, do Canadá. A Orange adquiriu também o maior número de lotes.

O primeiro leilão internacional da RCM, realizado de 29 de janeiro a 2 de fevereiro, pela plataforma M-Cultivo, comercializou 11 lotes. Foi em complemento ao Leilão Café Solidário, promovido em novembro, por ocasião do 11º Prêmio da RCM, em Uberlândia (MG). Foram leiloados lotes produzidos por Flávio Márcio Ferreira da Silva, Sérgio Ricardo Queiroz Barbosa, Mauro César Naimeg, Jander de Oliveira Pacheco, José Ricardo de Carvalho, José Augusto Guimarães, Elen Lorencini Moraes, Evanete Peres Domingues e Deyvid Oliveira Leandro. Do total de 29 sacas de café, 17 eram da categoria Café Natural, nove de Cereja Descascado, e três de Fermentação Induzida. Além da Orange Brown, também adquiriram os cafés a Casa Brasil, Moim Coffee, Roaylty Specialty Coffee, Lucca Cafés Especiais e Blums Café.

Combinações perfeitas

Deyvid Oliveira considera que a hora certa da colheita, a região favorável e o microclima ideal foram fatores fundamentais para obter o lote do café campeão. “Isso favoreceu uma colheita mais tardia, de um café mais maduro para passa, além do processo de pós-colheita. A gente fez fermentação aeróbica de 72 horas”, explica.

Deyvid e o café campeão (Arquivo Pessoal)
Deyvid e o café campeão (Arquivo Pessoal)

Novos espaços no mercado externo 

Juliano Tarabal, diretor executivo da Federação dos Cafeicultores do Cerrado, considera excepcional o resultado do primeiro leilão internacional da RCM, reforçando a qualidade e o prestígio dos produtos oferecidos pelos produtores associados. “O primeiro leilão internacional da Região do Cerrado Mineiro obteve excelentes resultados em sua primeira edição. A soma total das vendas dos lotes alcançou quase 50 mil dólares. Tivemos compradores dos mercados americano, canadense, europeu e brasileiro. Este projeto de leilão internacional está alinhado com nossa estratégia de internacionalização da marca e Denominação de Origem da Região do Cerrado Mineiro, conquistando novos espaços e compradores do mercado externo. Agora, eles continuarão promovendo esses cafés da nossa região”, avalia Juliano Tarabal.

Carolina Franco de Souza, diretora de Qualidade e Green Buyer do Lucca Cafés Especiais, lembra que eles participam do Prêmio desde a primeira edição. A empresa comprou parte de dois lotes da categoria Natural, o segundo e terceiro lugares. “A plataforma online atinge compradores internacionais, mas também dá espaço para torrefações nacionais, sendo uma ferramenta de comercialização justa e descomplicada, que gera oportunidade real destes cafés maravilhosos serem apreciados por consumidores em todo o mundo. É uma inovação”.

Para Deyvid Oliveira, o desempenho no leilão da RCM eleva ainda mais a importância brasileira no mercado externo. “O Brasil era conhecido como um país de qualidade baixa. Quando um leilão bate recorde de preço para um café brasileiro, da nossa região, da minha cidade, que é Campos Altos, estimula. A gente vê que tem saída. Vamos sair da commodity e vender café de acordo com a qualidade dele”, conclui.