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Em crise climática, agronegócio do Triângulo Mineiro vive desafios com secas e chuvas extremas

Professor Paulo Mendes aponta ausência de um radar meteorológico no Triângulo Mineiro como problema significativo (Crédito: Reprodução ALMG)
Professor Paulo Mendes aponta ausência de um radar meteorológico no Triângulo Mineiro como problema significativo (Crédito: Reprodução ALMG)

Região aposta em tecnologias de irrigação e diversificação de culturas para enfrentar a crise climática. Integração lavoura-pecuária-floresta ganha destaque

As regiões do Triângulo Mineiro e do Alto Paranaíba, importantes áreas agrícolas no Brasil, enfrentam o desafio de se adaptar ao prolongamento da estação seca e ao aumento das inundações, preservando o bioma do Cerrado sem prejudicar a economia agrícola. Esta preocupação foi o foco do sexto encontro regional do Seminário Técnico “Crise Climática em Minas Gerais: Desafios na Convivência com a Seca e a Chuva Extrema”, promovido pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) na segunda-feira (17), em Uberlândia.

Em pauta, soluções para minimizar os impactos das mudanças climáticas em Minas Gerais. O evento chega ao sétimo e último encontro regional em Unaí nesta sexta-feira (21), concluindo uma fase antes da etapa final em Belo Horizonte, prevista para agosto. “Ano passado foi a pior estiagem dos últimos 33 anos no Brasil e essa região também sofreu e sofre com isso. Nós estamos preocupados com as pessoas mais vulneráveis, que são as que também mais sofrem, mas também com a produção, com o agronegócio, com o produtor que faz gerar emprego e renda para essa região”, declarou o presidente da Assembleia, deputado Tadeu Martins Leite (MDB).

Especialistas convidados apontaram a ampliação do período de estiagem como uma das principais tendências. Se no passado a estação chuvosa começava em outubro, atualmente ela tende a iniciar apenas em novembro, com as chuvas concentrando-se até março, muitas vezes causando inundações em vias públicas como a Avenida Rondon Pacheco em Uberlândia. Paulo Cezar Mendes, professor da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e doutor em geografia, junto com Rildo Aparecido Costa, também doutor em geografia pela UFU, destacou a necessidade de reforçar a tecnologia na região para combater os efeitos da crise climática.

Paulo Mendes apontou a ausência de um radar meteorológico no Triângulo Mineiro como um problema significativo. Segundo ele, o equipamento, que custa entre R$ 4 e 5 milhões, se pagaria com a melhora das previsões climáticas. “No Triângulo Mineiro, nós não temos como produzir dados sem um material como o radar meteorológico. Estações meteorológicas, nós temos pouquíssimas. No Pontal do Triângulo Mineiro, nós temos em torno de quatro estações meteorológicas para a região inteira”, acrescentou Rildo Costa.

O presidente da Assembleia elogiou a sugestão e considerou a questão tecnológica fundamental para o relatório final do Seminário, que envolve cerca de 60 instituições, incluindo universidades. “Estamos aguardando esse relatório. Podemos aprimorar ou inovar na legislação e na fiscalização das políticas públicas, envolver os órgãos, o Governo do Estado, governo federal e todas essas instituições que estão participando”, afirmou o deputado Tadeu Martins Leite.

A tecnologia também foi vista como essencial para viabilizar o financiamento de políticas ambientais. Fernando Caixeta Lisboa, professor do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Triângulo Mineiro, mencionou o potencial inexplorado de negociação de créditos de carbono no Brasil e na região do Triângulo. Em 2022, o Brasil emitiu 169,4 toneladas de dióxido de carbono, sendo que Uberlândia sozinha emitiu 2,5 toneladas. Apesar de diversas iniciativas para redução dessas emissões, faltam políticas que viabilizem a remuneração desse serviço ambiental.

Lisboa destacou o município de Santa Vitória, no Pontal do Triângulo, como pioneiro na implantação de um programa de pagamento por serviços ambientais em 2023. A expansão de experiências desse tipo depende da conscientização dos agentes econômicos e do desenvolvimento de políticas e tecnologia. Entre as novidades em desenvolvimento estão algoritmos de inteligência artificial para inventariar as emissões de gases de efeito estufa, ferramenta útil para ingressar no mercado de créditos de carbono.