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Alto Paranaíba impulsiona abacates no Brasil

Com setor em crescimento, variedade Margarida tem vantagem competitiva na entressafra de abacates

A produção de abacate é um segmento importante do agronegócio no Brasil, posicionando o país como o sétimo maior produtor mundial dessa fruta, de acordo com dados da FAO. Com projeções de se tornar uma das frutas mais comercializadas até 2030, o abacate vem ganhando destaque no mercado de frutas.

Na região do Alto Paranaíba, conhecida por suas condições climáticas favoráveis à produção de abacates, a Shimada Agronegócios é reconhecida como uma das principais referências na produção de abacates, com enfoque nas variedades Breda e Margarida. Shimada aposta no crescimento desse mercado e investe no mercado interno, sendo um dos produtores importantes a impulsionar a produção e comercialização de abacates na região.

Tendências e oportunidades do setor

Com mais de 500 espécies de abacate em todo o mundo, as variedades mais comuns no Brasil são o Breda, Fortuna, Geada, Margarida, Ouro Verde, Quintal e Avocado (Hass), cada uma com características únicas em relação à casca, tamanho, sabores e outras características. A versatilidade do abacate, com diversas opções de uso na culinária, em receitas doces e salgadas, na produção de cosméticos e terapêuticos, são fatores que favorecem o crescimento da demanda pela fruta. É pela crescente procura que o cultivo de abacate tem tornado a rentabilidade mais atrativa, incentivando investimentos nesse setor.

Segundo a Faostat (2021), a produção mundial de abacate foi uma das que mais avançou no setor de frutas nos últimos cinco anos, de 2016 a 2021, com uma taxa de crescimento de 47%, passando de 6 milhões de toneladas para 9 milhões de toneladas. No Brasil, a produção também teve um aumento significativo, passando de 197 mil toneladas em 2016 para 301 mil toneladas em 2021, um aumento de 53%, de acordo com o IBGE (2021). Além disso, o abacate foi a fruta que apresentou o maior crescimento na área plantada, com um aumento de 67% no período de 2016 a 2021.

De acordo com o IBGE, as 301 mil toneladas de abacates produzidos são provenientes de uma área colhida de 18.106 hectares e aproximadamente 3.459 mil pés de abacate, gerando um valor de produção de 710.363 mil reais. Para fins de comparação, em 2017, o valor da produção foi de 247.546 mil reais, o que evidencia um aumento de aproximadamente 35% nos rendimentos da produção de abacates em apenas 4 anos.

Estratégias de mercado da Shimada Agronegócios

A produção de abacates em Minas Gerais, incluindo a região do Alto Paranaíba, representa aproximadamente 32% do total gerado pela produção de abacates no Brasil. Essa região possui condições climáticas e de solo favoráveis para o cultivo da fruta e é no Alto Paranaíba, com sede em São Gotardo, onde está localizada a sede da Shimada Agronegócios, reconhecida como uma das principais referências na produção de abacates no país.

Apesar do mercado consolidado no exterior e do alto valor agregado, o abacate tipo Hass tem apresentado aumento na produção tanto no Brasil quanto na região do Alto Paranaíba, onde os produtores têm focado na exportação.

Entre os países exportadores de abacates, o Brasil ocupa a 20ª colocação. Diante da alta demanda nacional por abacates e de uma taxa de exportação baixa, estimada em apenas 3% (conforme cálculos do CEPEA com base em dados da Faostat), a Shimada Agronegócios adota uma visão estratégica de mercado diferenciada, concentrando sua produção para o mercado interno. A empresa tem como foco variedades tropicais de tamanho maior, que são mais consumidas no Brasil, como o Breda e o Margarida.

A variedade Breda possui a característica particular de ter a casca lisa e é destinada principalmente ao mercado do Sudeste do Brasil. Por outro lado, a variedade Margarida tem como vantagem competitiva a produção na entressafra brasileira e boa adaptabilidade para a região do Alto Paranaíba, descoberta que trouxe inovações para os negócios da família. O pai de Hugo, Paulo Takeshi Shimada iniciou investimentos e aprimoramentos em tecnologia nos processos de produção da cultura do abacate em 1975.

Família Shimada: pioneirismo e tradição

Hugo Shimada conta que seu pai, Paulo Takeshi Shimada, foi um dos produtores pioneiros na introdução da variedade Margarida na região de São Gotardo. Junto a outros produtores da região, trouxe mudas de abacate do Norte do Paraná. Paulo trouxe mudas das regiões de Arapongas e Apucarama, adquiridas diretamente do Sr. Miguel Makiama, o criador dessa variedade, que foi batizada em homenagem à sua esposa, Margarida, e constatou que esta variedade era ideal para ser cultivada na Região do Alto Paranaíba e colhida na entressafra do Brasil.

Atualmente, a área de produção de abacates do Shimada Agronegócio é de 250 hectares, com pomares que têm quase 40 anos de idade. Hugo Shimada relata que no Brasil há pomares com quase 70 ou 80 anos de produção da variedade Margarida.

Portanto, pode-se dizer que o pioneirismo e a tradição da família Shimada conferem à Shimada Agronegócios vantagem competitiva na produção das variedades de abacate Breda e Margarida, graças ao conhecimento agregado pela família.

Desafios e perspectivas 

De acordo com Hugo Shimada, o setor de produção de abacates enfrenta diversos desafios. Dentre esses desafios, estão aqueles relacionados à qualidade dos frutos. Um deles diz respeito à polinização, realizada pelas abelhas, que é essencial para garantir a qualidade dos frutos. Para enfrentar esse desafio, o Shimada Agronegócios estabelece parcerias temporárias, diferentemente de outros produtores de abacate que mantêm suas propriedades abertas permanentemente para apicultores. As abelhas são soltas na área de produção somente durante a época da floração do abacateiro, garantindo assim a realização eficaz da polinização cruzada.

Outro desafio apontado por Hugo Shimada é o controle de pragas e doenças, especialmente a broca do abacateiro, que requer uma batalha constante ao longo do ano. Ele explica que os produtores têm buscado soluções com controle biológico, como a soltura de vespas predadoras via drone, porém, em casos de alta pressão de pragas, o controle químico ainda é necessário para garantir a qualidade dos frutos. No entanto, a obtenção de produtos químicos certificados e regularizados tem sido uma dificuldade para os produtores, assim como encontrar produtos específicos para os problemas relacionados à produção de abacates.

Hugo Shimada ressalta a importância de a indústria reconhecer o aumento na produção de abacates e registrar produtos fitossanitários específicos para essa cultura, dentro dos padrões legais. Ele destaca a necessidade de se ter produtos adequados e certificados para enfrentar os desafios de pragas e doenças na produção de abacates, visando garantir a qualidade dos frutos e o cumprimento das regulamentações.

Outro desafio significativo apontado por Hugo é a abertura de novos mercados. Ele considera esse como o principal desafio a ser superado pelo setor. Além disso, a falta de profissionalização na comercialização é outro desafio enfrentado pelo mercado de abacates, que ainda é predominantemente informal, o que pode gerar prejuízos no processo de organização comercial do produto.

Por outro lado, uma das principais conquistas do setor de abacates é a adoção de uma visão mais criteriosa pelas indústrias de insumos, que estão investindo em pesquisa, controle e técnicas. Hugo Shimada acredita que as empresas que compõem a cadeia produtiva de abacates terão um crescimento significativo. Para ele, a perspectiva de crescimento e desenvolvimento do setor é promissora, com investimentos em tecnologia e inovação, além de parcerias estratégicas, como é o caso do Sicoob-Credisg e da Universidade Federal de Viçosa, Campus Rio Paranaíba, que dedicam estudos a um campo de pesquisa específico voltado ao abacate.

Estratégias para superação de desafios

A Shimada Agronegócios é afiliada à Associação Abacates do Brasil, que vem promovendo o consumo de abacate por meio de estratégias de marketing, principalmente nas redes sociais, para a abertura de novos mercados. A ênfase está nos benefícios nutricionais e nutracêuticos do abacate, destacando seu papel como uma fruta rica em HDL, conhecido como colesterol bom, e benéfica para o coração.

Enquanto isso, a Associação dos Produtores de Abacate de São Gotardo, presidida por Mário Yamashita, tem como foco a parte técnica e econômica do cultivo, promovendo a difusão de tecnologias e estimulando a troca de experiências entre os produtores. Um exemplo disso é a esperada visita de uma comitiva do Chile e do Japão, que irá conhecer a produção de abacates e explorar possíveis parcerias. Além disso, a Associação também participa da organização do Encontro dos Produtores de Abacate de São Gotardo, que está em sua segunda edição este ano, com o objetivo de entender os gargalos técnicos e de mercado relacionados à produção de abacates.

O encontro é uma iniciativa da Assogotardo, Associação de Apoio aos Produtores Rurais da Região de São Gotardo, e da Associação dos Produtores de Abacate de São Gotardo, como parte do Projeto Educampo apoiado pelo SEBRAE. Seu objetivo é promover a troca de experiências e conhecimentos entre os produtores de abacate de todo o país, com palestrantes renomados discutindo questões relacionadas à gestão econômica e sustentável da produção de abacates, com foco no mercado. A participação do SEBRAE permite identificar e solucionar problemas relacionados à gestão de processos e pessoas na produção de abacates.

O 2º Encontro de Produtores de Abacates de São Gotardo está previsto para acontecer junto ao 16º Encontro de Cafeicultores, no dia 25 de maio deste ano.