Setor alcança a vice-liderança nacional com salto de 23,7% no Valor Bruto da Produção em 2025. Profissionalização do manejo e demanda por dietas proteicas consolidam o estado como o segundo maior produtor de ovos do país
O cenário alimentar brasileiro passa por transformações que impactam diretamente o campo. O crescimento do consumo, impulsionado por dietas hiperproteicas e pela busca por desempenho físico, consolidou o alimento como item estratégico em cardápios voltados à praticidade. Essa mudança de comportamento sustenta a expansão da produção de ovos em Minas Gerais, que registrou números expressivos no último biênio.
Em 2024, o estado entregou ao mercado 5,443 bilhões de unidades. Já em 2025, o volume saltou para 5,895 bilhões, o que representa uma elevação de 8,3%. O plantel de galinhas poedeiras acompanhou o movimento com incremento de 2,4%. Com tais resultados, Minas Gerais ultrapassou o Paraná, ocupando agora o segundo posto no ranking brasileiro, atrás apenas de São Paulo.
O avanço não é apenas quantitativo, mas reflete ganhos em rentabilidade e profissionalismo. O Valor Bruto da Produção (VBP) do setor no estado passou de R$ 2,67 bilhões em 2024 para R$ 3,31 bilhões em 2025, uma valorização de 23,7%. Para sustentar esse patamar, produtores investem em manejo técnico, ambiência controlada e monitoramento rigoroso.
A técnica do programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Sistema Faemg Senar, Iara Maria França Reis, reforça que a organização da granja é o pilar do sucesso. “Trabalhamos manejo adequado das aves, qualidade da alimentação e da água, limpeza dos galpões, controle de temperatura e ventilação, além do bem-estar animal. O cuidado com a cama, os ninhos e a coleta correta dos ovos impactam diretamente na qualidade final do produto”, explica. A eficiência na gestão, com controle de custos de ração e taxas de mortalidade, permite decisões assertivas mesmo em propriedades menores.
Biosseguridade e novos mercados na produção de ovos em Minas Gerais
A nutrição das aves, principal custo da atividade, recebe formulações específicas para cada fase produtiva. Somado a isso, a biosseguridade tornou-se prioridade absoluta. Medidas como o controle de acesso às granjas, uso de pedilúvio, calendários vacinais rigorosos e higienização constante de equipamentos asseguram a sanidade do plantel e a confiança do consumidor.
No Noroeste do estado, em Buritis, o produtor Douglas Espíndola exemplifica o otimismo regional. Com 160 aves e produção diária entre 125 e 130 unidades, ele planeja dobrar a capacidade instalada. “O trabalho começa desde o primeiro dia de vida das aves, com transporte adequado, ambiente climatizado, vacinação e alimentação específica para cada fase. O manejo diário, o programa de luz e a higiene constante são fundamentais para manter a produtividade e a qualidade”, afirma Espíndola. O produtor, que hoje atende escolas, busca a formalização via Serviço de Inspeção Municipal (SIM) para acessar feiras e mercados.
Embora as exportações mineiras tenham crescido 129% em faturamento em 2025, com destaque para o mercado norte-americano, o comércio externo absorve apenas 2,05% do total produzido. O dado ratifica a força do mercado interno, onde o ovo se consolidou como fonte de proteína de alto valor biológico. Conforme destaca a nutricionista Keila Moraes, o alimento oferece todos os aminoácidos essenciais, sendo “um grande aliado tanto na manutenção quanto no ganho de massa muscular, especialmente para quem pratica atividade física”.