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O homem que ensinou a América Latina a medir a dose da vida

Imagem gerada por IA a partir da publicação original
Imagem gerada por IA a partir da publicação original

POR DIEGO SIQUEIRA — Quando Tomomassa nasceu, seu pai escolheu um nome com dois ideogramas em japonês: conhecimento ( 知 ) e triunfo ( 勝 ). Juntos significam: “aquele que vence pelo conhecimento”. Na província de Miyazaki, no Japão, seu pai mantinha uma farmácia com a confeitaria do tio — ambas chamadas Shiboudou, símbolo de suportar adversidades.

Em 1938, a família — pai, mãe, 5 irmãos e 1 irmã — veio para a Fazenda Filomena (BR), na comunidade Jacutinga. Em 42, Tomomassa nascia em Pompéia (SP). Pouco antes, o Autódromo de Interlagos era inaugurado. Décadas depois, Ayrton Senna emocionaria o Brasil. Nos campos, Tomomassa faria o mesmo.

Formou-se pela Esalq em 65, na mesma turma de Ely Nahas — um dos pioneiros em solubilizadores de fósforo — e de 2 ex-ministros Roberto Rodrigues e Luis Carlos Guedes Pinto.

Em 1970, ingressou na Unesp, assumindo o espaço deixado por Marcos Monteiro, chamado para coordenar a Campanha Nacional de Combate à Ferrugem do Cafeeiro. Ali, estruturou a pesquisa em tecnologia de aplicação de defensivos e implantou a disciplina de tratamento fitossanitário do zero, a primeira da América Latina. Ficou reconhecido como “Pai da Tecnologia de Aplicação na América Latina”.

Quando voltou da Universidade de Londres em 78, ampliou sua visão. Em 88, criou o pulverizador intermitente, capaz de “enxergar” a planta e aplicar apenas onde havia alvo. Primeira patente do Brasil na área. Elevou a eficiência para quase 80%, usando menos de um terço do volume dos remédios que cuidam das plantas.

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Com Yurito Kanashiro Matuo, Professora da Escola de Enfermagem da USP, e sua esposa, dedicada à alimentação materno-infantil, já discutia em 80 a ecotoxicologia na agronomia, ligada a “Uma Só Saúde”. Nesse percurso, recebeu honraria do Governador de SP, na presença da Secretária de Desenvolvimento, e também a honraria do sistema Confea – Conselho Federal de Engenharia e Agronomia-Crea-SP ao lado de Oscar Niemeyer Soares Filho e de Romeu Kiihl, o pai da soja no cerrado.

Avô dos gêmeos Ana Luiza e Henrique, apaixonado por karaokê. Começou como iniciante e, música por música, chegou à categoria especial nacional

Inquieto, desenvolveu com Tomas K. Matuo, seu filho agrônomo pela UNESP e o José Gonçalvez produtor de café e abacate, armadilhas sonoras para cigarras, outra patente, agora na linha de bioacústica, hoje presente em várias áreas e lugares. Como as cigarras — e no karaokê — Tomomassa entendia que cada frequência tem um propósito.

Formou gerações como Gilson Leite Leite, Luis César Pio, Hamilton Ramos e Marcelo da Costa Ferreira. Dessa construção nascem tecnologias vistas na Agrishow – Feira de Tecnologia Agrícola em Ação, nos hubs de inovação, drones e no alimento do prato.

Após sua aposentadoria, seguiu criando e inspirando. Assim como Interlagos revelou a precisão de um piloto, os campos revelaram a grandeza de um cientista apaixonado por música, gente e ciência!

Artigo publicado originalmente no perfil do autor no LinkedIn