Recuperação do arábica é impulsionada por temperaturas amenas durante o período de pegamento das lavouras. Projeção indica que o Brasil deve colher 69,3 milhões de sacas no novo ciclo
Sem tempo para ler? O que você não pode ignorar:
Recuperação à vista: O Brasil deve colher 69,3 milhões de sacas (+10,1%). O grande protagonista é o café arábica, com salto projetado de 18%, chegando a 44,8 milhões de sacas.
Se os pontos acima chamaram sua atenção, o artigo detalhado traz o “mapa da mina” para 2026. Entender as nuances do “tarifaço de 50% dos EUA” e por que a estratégia de Collar é a recomendação oficial para proteger sua margem pode ser a diferença entre o lucro e o prejuízo no próximo ciclo.
Safra de café 2026/27: O que os números do Itaú BBA revelam?
O setor cafeeiro brasileiro projeta um cenário de recomposição produtiva para o próximo ciclo, com atenções voltadas para o desenvolvimento das plantas no campo. De acordo com a Consultoria Agro Itaú BBA, as perspectivas para a safra de café 2026/27 são positivas, fundamentadas em um manejo eficiente e condições climáticas específicas. Embora o volume de chuvas em 2025 tenha permanecido abaixo da média histórica, o comportamento térmico foi o diferencial. Conforme o levantamento, “as temperaturas mais amenas registradas no período pré-floradas (set-out) favoreceram o pegamento já que o cafezal vinha de um período de estresse menor”, o que sustenta a expectativa de recuperação, especialmente para o café arábica. O estudo menciona especialmente Varginha e região, no Sul de Minas, e Patrocínio e seu entorno, no Cerrado Mineiro.
A análise revela os desafios hídricos enfrentados pelos produtores. Em Patrocínio, município de referência na região, o ano de 2025 registrou precipitações menores em comparação ao ano anterior. Os cafezais atravessaram aproximadamente seis meses de estiagem. O relatório descreve que, enquanto em 2024 a seca perdurou de abril a setembro, em 2025 houve “quase nada em outubro”, após um breve registro de umidade em abril. Mesmo diante dessa escassez hídrica, a ausência de calor extremo no momento da florada permitiu que o potencial produtivo da safra de café 2026/27 fosse preservado em patamares elevados.
A estimativa atual para a produção nacional atinge 69,3 milhões de sacas, representando uma expansão de 10,1% sobre o ciclo anterior. O grande motor deste avanço é o café arábica, cuja colheita deve chegar a 44,8 milhões de sacas, um salto de 18%. Por outro lado, o café robusta deve apresentar um recuo de 2%, totalizando 24,5 milhões de sacas, mantendo o bom desempenho em praças como Espírito Santo e Bahia.
Gestão de insumos e rentabilidade na safra de café 2026/27
O investimento direto na lavoura aparece como fator determinante para o êxito da colheita. A relação de troca para o cafeicultor mostrou-se favorável ao longo de 2025, facilitando a aquisição de fertilizantes essenciais como MAP, Ureia e KCL. Esse contexto, segundo a consultoria, “tem estimulado investimentos consistentes em tratos culturais, o que tende a contribuir positivamente para a produtividade”.
No âmbito global, a produção estimada é de 188 milhões de sacas para um consumo de 176 milhões. Apesar do superávit previsto de 11,3 milhões de sacas, o mercado permanece em alerta devido aos “estoques apertados”. O ano de 2025 foi marcado por forte volatilidade, influenciada tanto por fatores produtivos quanto políticos, incluindo o “tarifaço de 50% imposto pelos EUA ao Brasil”.
Diante de um mercado que deve limitar altas no preço em função da maior oferta brasileira, a recomendação para o produtor é o foco na proteção financeira. O relatório ressalta a “necessidade de proteção e gestão de riscos”, sugerindo estratégias como o Collar para assegurar a rentabilidade diante das oscilações das cotações futuras.