YouTube

Produção de café em Minas Gerais projeta alta de 23,6% na safra 2026

Foto: Produtor Mateus Domingueti, de Varginha, fazendo a roçada em sua propriedade. Divulgação Sistema Faemg Senar
Foto: Produtor Mateus Domingueti, de Varginha, fazendo a roçada em sua propriedade. Divulgação Sistema Faemg Senar

Levantamento do Sistema Faemg Senar com 5 mil cafeicultores indica recuperação do setor. Apesar do crescimento, eventos climáticos adversos e custos elevados impedem a ocorrência de uma supersafra no estado

A produção de café em Minas Gerais demonstra sinais de recuperação para o ciclo de 2026. Segundo pesquisa inédita do Sistema Faemg Senar, realizada entre fevereiro e março deste ano, a expectativa é de um crescimento de 23,6% no volume colhido em comparação ao período anterior. O estudo consultou 5 mil produtores assistidos pelo programa ATeG Café+Forte em diversas regiões mineiras, consolidando dados do maior estado produtor do país.

A projeção de produtividade média alcança 32,9 sacas por hectare. Esse avanço é impulsionado pelo café arábica, com alta de 22,8%, e pelo conilon, que pode registrar elevação de 37,7%. Embora os números sejam favoráveis, o setor avalia o cenário como um ciclo de recomposição, e não de recordes extraordinários.

O fenômeno da bienalidade positiva é o fator determinante para o otimismo moderado no campo. De acordo com a analista de agronegócios do Sistema Faemg Senar, Ana Carolina Gomes, 54% dos produtores atribuem o aumento esperado a esse ciclo natural. Contudo, o teto produtivo sofre limitações severas. “A bienalidade positiva, ciclo natural de maior produção dos cafeeiros, foi apontada por 54% dos produtores como principal fator para o aumento esperado. Ainda assim, as perdas médias estimadas chegam a 17%, reflexo das condições climáticas adversas registradas ao longo do ciclo”, explica a especialista.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

 

O levantamento aponta que o clima permanece como o maior risco para a atividade. Eventos como altas temperaturas, secas prolongadas e chuvas mal distribuídas atingiram 40% da área total plantada, o equivalente a 20,8 mil hectares. O estágio de pegamento dos frutos, o chumbinho, concentrou 60% dos danos relatados, gerando abortamento e queda de frutos.

Manejo intensivo e custos na produção de café em Minas Gerais

O cenário climático instável exigiu dos cafeicultores uma postura mais reativa e um manejo nutricional reforçado. A pesquisa indica que houve aumento nos custos operacionais devido à necessidade de intensificar o controle de plantas daninhas e o uso de irrigação. “Houve também quebra do calendário agrícola, com atrasos nas pulverizações devido ao excesso de chuvas e calor, além da adoção de manejo mais reativo”, acrescenta Ana Carolina Gomes.

Com a safra em fase final de maturação, o foco se volta aos preparativos logísticos. Guilherme Ferreira Marques, supervisor técnico do ATeG na regional de Varginha, reforça que a organização deve ser antecipada, incluindo a manutenção de terreiros, revisão de maquinário e compra de insumos. No Sítio Ouro Verde, o produtor Mateus Domingueti já trabalha na limpeza das ruas do cafezal. Após investir na infraestrutura do terreiro, ele projeta resultados positivos. “Para 2026, nossa estimativa é colher de 28 a 30 sacas por hectare. Será uma colheita excelente”, afirma o cafeicultor.

Para as propriedades que utilizam colheita mecanizada, a manutenção preventiva é indispensável para evitar perdas e preservar a qualidade dos grãos. Além da parte técnica, a gestão de pessoas ganha relevância com a proximidade da colheita. A formalização de safristas é uma exigência legal que garante segurança jurídica ao produtor. Mariana Maia, gerente jurídica do Sistema Faemg Senar, alerta para a obrigatoriedade do registro e cumprimento das normas de segurança. “É possível fazer contrato por prazo determinado, limitado ao período da safra, mas é indispensável cumprir todas as obrigações trabalhistas, como pagamento de salário, recolhimento de INSS e FGTS”, conclui.