Evento em São Gotardo reúne lideranças do agro, produtores e entidades para debater prejuízos decorrentes de importações. Mobilização regional destaca defesa de empregos, atuação do Sistema Faemg Senar e cobrança por medidas de fiscalização ao Governo Federal
A Comissão de Agropecuária e Agroindústria da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realizou, nesta segunda-feira (1), uma audiência pública de ampla repercussão para debater os sérios entraves enfrentados pelo setor hortifrúti do Estado. O debate focou primordialmente na produção de alho no Alto Paranaíba, polo produtor de referência do alimento em Minas Gerais, motivado pelo crescimento expressivo na entrada de mercadorias vindas da Argentina e da China. O encontro ocorreu na sede do Sindicato Rural, atendendo ao requerimento oficial da deputada estadual Lud Falcão (Republicanos).
Minas Gerais lidera atualmente o cultivo do alimento no território nacional. Essa atividade agrícola de alta relevância socioeconômica se concentra em diversos municípios mineiros, incluindo Arapuá, Rio Paranaíba, Patrocínio, Sacramento, Tiros e São Gotardo. O reconhecimento formal da área como polo agrícola do alho decorre de projeto de autoria da própria parlamentar. Os canais do portal disponibilizarão uma reportagem completa em vídeo sobre o andamento e os desdobramentos das discussões locais.
… uma caixa de alho da Argentina, que teve uma supersafra do produto este ano, chega ao Brasil por R$ 50, valor que não paga nem os custos do produtor mineiro…
A deputada Lud Falcão aponta as deliberações e os tratados do Governo Federal como a causa principal para as graves dificuldades vivenciadas pelos agricultores mineiros. Segundo a parlamentar, “Um acordo firmado no Mercosul permite que uma caixa de alho da Argentina, que teve uma supersafra do produto este ano, chegue ao Brasil por R$ 50, valor que não paga nem os custos do produtor mineiro”.
Além do comércio sul-americano, o mercado lida com os efeitos severos das negociações com o governo chinês. A nação asiática subsidia o cultivo local de forma agressiva, reduzindo o preço final do produto e ampliando a competitividade do item no comércio brasileiro de maneira artificial. Conforme afirma a deputada, “E aí o nosso alho, que tem qualidade muito superior, é vendido pelo mesmo valor”.
Diante desse cenário de profunda disparidade comercial no país, a deputada manifestou o descontentamento generalizado do setor produtivo com as diretrizes vigentes: “Toda a região está sangrando pela falta de um olhar atento do Governo federal, que está permitindo o ganho, não do consumidor nem do comércio brasileiro, mas do comércio exterior”.
O prefeito de São Gotardo, Makoto Sekita (PSD), ressaltou a dimensão social e econômica da atividade para a sustentabilidade dos municípios. De acordo com o chefe do Executivo local, a pauta envolve “não apenas da produção de alho, mas da defesa de mais de 16 mil empregos diretos em nossa cidade”. O governante reforçou que o segmento movimenta a economia regional e sustenta famílias inteiras, mas enfrenta produtos importados com valores inferiores aos custos nacionais.
Durante a reunião no sindicato, produtores rurais e representantes do setor expuseram a realidade da atividade em campo, detalhando os impactos severos decorrentes da entrada das mercadorias estrangeiras no mercado nacional. O vice-presidente do Sistema Faemg Senar e presidente do Sindicato Rural de São Gotardo, Rodolfo Molinari, destacou a preocupação com a concorrência dos itens importados que chegam ao mercado brasileiro abaixo dos custos de produção reais. De acordo com a liderança, essa situação coloca em risco iminente uma cadeia relevante para a economia, para a geração de empregos e para o abastecimento nacional de alimentos. O Sistema Faemg Senar informou que acompanha a pauta de forma permanente, de modo a encaminhar as legítimas demandas do campo aos espaços de decisão política.
A Associação Nacional dos Produtores de Alho (ANAPA) pontuou que a cadeia produtiva gera milhares de postos de trabalho e move a economia regional, sendo profundamente prejudicada por condições que comprometem a competitividade interna. Nos meses recentes, a associação protocolou 36 ofícios junto a órgãos federais, como o Ministério da Agricultura e Pecuária, o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e a Receita Federal, solicitando fiscalização rígida e proteção ao mercado nacional. Tanto a ANAPA quanto o prefeito e o dirigente do sindicato registraram apoio à deputada Lud Falcão pela iniciativa da reunião.
“O alho brasileiro gera empregos, movimenta a economia e leva qualidade para a mesa dos brasileiros. Seguiremos unidos, trabalhando por mais reconhecimento, competitividade e fortalecimento da nossa produção”, declarou o produtor e empresário Flávio Márcio Silva, presidente da Associação Mineira dos Produtores de Alho (AMIPA).
Foram convidados para o evento integrantes de ministérios, das Secretarias de Estado de Desenvolvimento Econômico e de Agricultura, autoridades locais e membros do Ministério Público.