Estado reafirma posição de potência no setor lácteo ao conquistar premiações Super Ouro, Ouro, Prata e Bronze. Reconhecimento internacional impulsiona o marketing e abre novas oportunidades de mercado para produtores mineiros
Minas Gerais demonstrou sua força produtiva na 4ª edição do Mundial do Queijo do Brasil, evento realizado em São Paulo que reuniu a elite do setor lácteo nacional e internacional. O Estado assegurou 172 das 567 medalhas distribuídas, consolidando uma trajetória de qualidade técnica e tradição na fabricação de queijos e derivados. O certame contou com 2,7 mil produtos avaliados por cerca de 300 jurados, reafirmando o prestígio da produção mineira perante especialistas globais.
O balanço final das premiações revela o equilíbrio entre volume e excelência. Os produtores mineiros trouxeram para o Estado 23 medalhas Super Ouro, 42 Ouro, 52 Prata e 55 Bronze. Além dos queijos, itens como doces de leite, iogurtes e manteigas foram condecorados. De acordo com Fernanda Quadros, coordenadora técnica da Emater-MG, a participação no concurso funciona como um motor de aperfeiçoamento.
“A participação no concurso é uma forma de melhoria contínua dos queijos e derivados, já que os produtores recebem os resultados e ficam sabendo onde é preciso melhorar”, afirma Quadros. A técnica destaca que a chancela de um evento desta magnitude agrega valor imediato ao produto, funcionando como um diferencial competitivo nas gôndolas. “Vender o queijo com o selo de campeão na embalagem conta muito. É um marketing que faz a diferença”, explica.
Os resultados práticos da premiação são observados no aumento da demanda. No Sul de Minas, o Laticínios Lejane, de Aiuruoca, obteve o grau Super Ouro com o Queijo Minas Meia Cura e outras quatro medalhas de Bronze. Ricardo Correa, CEO da empresa, aponta que o reconhecimento valida o modelo de negócio que une escala industrial à arte da queijaria artesanal. “Essas conquistas refletem o resultado do trabalho de uma grande equipe e nos trazem ânimo de seguir adiante”, diz Correa.
No Alto Paranaíba, o produtor Alexandre Honorato, da Fazenda Só-Nata, em Araxá, alcançou o Super Ouro com o Queijo Minerim, produto de casca florida com 60 dias de maturação. Honorato ressalta que as medalhas ajudam a alavancar as vendas para outros estados, embora o mercado local em Araxá ainda absorva grande parte do volume. “O mercado valoriza as medalhas, que são uma grande ajuda para elevar as vendas”, observa o produtor.
Já na região da Canastra, em São Roque de Minas, a tradição familiar de seis gerações da Fazenda Santiago foi coroada com o Super Ouro para o Queijo Canastra com 15 dias de maturação. Raquel Costa Faria, filha do produtor José Antônio de Faria, vê na premiação uma oportunidade de expansão do turismo rural. “A medalha vai ajudar a divulgar nosso queijo, a atrair turistas para visitar a fazenda e ajudar a agregar valor”, conclui a produtora.