Pacto assinado neste mês elimina tarifas para 95% dos bens sul-americanos e estabelece novas cotas para produtos sensíveis
Direto ao Ponto: O que o produtor precisa saber sobre o Acordo UE-Mercosul
Por que ler a análise completa? Os detalhes sobre os cronogramas de desgravação tarifária e as exigências de mercado são complexos. Compreender as letras miúdas desse pacto de 25 anos é a diferença entre apenas exportar commodities ou liderar um novo mercado de valor agregado.
Confira o artigo detalhado abaixo e prepare sua estratégia para a próxima década!
Acordo União Europeia e Mercosul: as novas regras para o seu negócio
O agronegócio brasileiro observa uma mudança estrutural no comércio internacional. O Acordo União Europeia e Mercosul, concluído após 25 anos e assinado em janeiro de 2026, cria a maior área comercial do mundo, eliminando tarifas de mais de 90% dos produtos. Conforme o relatório Radar Agro do Itaú BBA, o bloco europeu representa o segundo principal destino das exportações do setor, somando 15% da receita obtida em 2025. O pacto agora cobre um mercado de 718 milhões de pessoas e quase 20% do PIB global, reduzindo a dependência de outros mercados asiáticos.
Para os produtores de café, o documento traz avanços significativos na competitividade. Atualmente, o café solúvel enfrenta uma tarifa de 9%, enquanto o torrado e moído é tributado em 7,5%. Com a vigência das novas regras, os cafés solúveis, torrados e moídos apresentarão uma redução anual nas taxas de importação, até zerar, em um período de 4 anos. Essa desgravação progressiva permite que o produto processado no Brasil chegue ao consumidor europeu com valores mais atrativos, incentivando a agregação de valor na origem.
Além do grão, o setor de frutas também vislumbra benefícios imediatos. Segundo o Itaú BBA, esses itens não terão limites quantitativos e contarão com eliminação tarifária, conforme o produto. Enquanto a uva terá tarifa zerada imediatamente, o suco de laranja — componente relevante da pauta mineira — passará por desgravação em períodos de sete ou dez anos. Limões, limas e melões possuem prazo de sete anos para a total liberalização.
A comercialização de produtos considerados sensíveis pelos europeus, como as carnes, ocorrerá sob o sistema de cotas. O relatório aponta que o volume de 99 mil t de carne bovina entrará no bloco com tarifa de 7,5%. Já as carnes vinculadas à Cota Hilton terão tarifas zeradas. Para o setor de aves, o ajuste acrescenta um contingente de 180 mil toneladas anuais com tarifa zero, com implementação distribuída em seis anos.
É necessário notar que o texto prevê mecanismos de proteção para os produtores do Velho Continente. Existe a possibilidade de reintrodução temporária das tarifas por parte da UE caso as importações de produtos agrícolas originários do Mercosul ultrapassem 5% dos volumes definidos ou resultem em queda de 5% dos preços internos. Tal medida busca mitigar riscos de desorganização de mercado e proteger cadeias produtivas europeias.
No fluxo inverso, o Mercosul eliminará tarifas para 91% dos bens europeus em um horizonte de 15 anos. Itens como máquinas e químicos, fundamentais para a produção no campo, terão acesso imediato. Produtos de consumo, como vinhos (hoje com 35% de tarifa) e chocolates (20%), também terão as taxas zeradas, consolidando a integração entre os dois blocos econômicos.