Encontro promovido pelo Consórcio Cerrado das Águas reforça o protagonismo feminino na conservação dos recursos hídricos e na sustentabilidade da produção agrícola no Cerrado Mineiro
No dia 1º de novembro, o Assentamento Quebranzol, em Serra do Salitre (MG), será palco do 3º Encontro da Rede de Mulheres Construtoras de Paisagem Regenerativa do Cerrado Mineiro, uma realização do Consórcio Cerrado das Águas (CCA). A iniciativa conta com apoio do CEPF – Critical Ecosystem Partnership Fund, do IEB – Instituto Internacional de Educação do Brasil, do Sebrae e do Flores do Café (UFV-CRP). O encontro tem como foco o fortalecimento da presença feminina na conservação da água e na construção de paisagens produtivas e biodiversas — temas centrais para a sustentabilidade da agricultura regional.
Com o tema “Mulheres que cuidam e agem juntas pela água”, o evento se propõe a criar um espaço de diálogo e escuta entre mulheres do campo, produtoras e lideranças locais. A proposta é ampliar o protagonismo feminino na gestão dos recursos naturais, integrando conhecimento técnico, experiências práticas e ações colaborativas para a regeneração das paisagens agrícolas.
Durante a programação da manhã, as participantes terão contato com atividades de imersão, rodas de conversa e trocas de experiências que abordam a relação entre produção e conservação. Serão discutidos temas como o olhar coletivo sobre a paisagem, os desafios da bacia do córrego Grande e a importância da água como elo entre histórias e modos de vida das comunidades rurais.
As práticas de regeneração de nascentes, o uso consciente do solo e a integração entre diferentes formas de produção têm sido destaque nas ações da Rede de Mulheres Construtoras de Paisagem Regenerativa, que se consolida como um movimento de fortalecimento da governança ambiental no Cerrado Mineiro.
“Esses encontros são momentos de acolhimento, aprendizado e construção de soluções reais para o território. As mulheres têm um papel fundamental na regeneração das paisagens e na gestão da água, e é isso que queremos fortalecer”, afirmou Fabiane Sebaio, Secretária Executiva do CCA.
Consórcio Cerrado das Águas e o impacto na sustentabilidade regional
O Consórcio Cerrado das Águas atua como uma plataforma colaborativa que envolve empresas, produtores, instituições públicas e organizações civis. Sua missão é promover resiliência hídrica no Cerrado Mineiro, conectando o setor produtivo à conservação ambiental.
Por meio do Programa de Investimento no Produtor Consciente (PIPC), o CCA orienta e apoia produtores rurais na adoção de práticas de manejo sustentável. O foco é ampliar a provisão de serviços ecossistêmicos e melhorar a disponibilidade de água em bacias hidrográficas agrícolas.
Os resultados da atuação do consórcio já alcançam 202 hectares de vegetação nativa conservada, 4 mil hectares de áreas agrícolas em transição para sistemas regenerativos e 150 mil pessoas beneficiadas. Esses números evidenciam o potencial do modelo colaborativo, no qual o produtor rural é parte ativa da conservação ambiental.
O CCA reúne como membros associados Nescafé, Expocaccer, Nespresso, Lavazza, Cooxupé, Cofco International, Volcafe, NKG Stockler, Daterra, Federação dos Cafeicultores do Cerrado, CerVivo, Starbucks Farmer Support Center, JDE Peet’s, EISA e X-Farm, além das prefeituras de Serra do Salitre e Coromandel como parceiros estratégicos.
O CEPF – Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos, apoiador da iniciativa, é uma aliança internacional que reúne instituições como a Agência Francesa de Desenvolvimento, Conservação Internacional, União Europeia, Fundação Hans Wilsdorf, Fundo Global para o Meio Ambiente, Governo do Canadá, Governo do Japão e Banco Mundial. O fundo tem como objetivo fortalecer a participação da sociedade civil na conservação da biodiversidade.
Já o IEB atua como equipe de implementação regional do CEPF, oferecendo formação e fortalecimento institucional a projetos que unem produção agrícola, conservação de ecossistemas e desenvolvimento social.
A atuação das mulheres no campo tem se tornado um eixo relevante para o futuro da produção agrícola na região. Elas têm assumido papéis decisivos na gestão da água, na recuperação de nascentes e na adoção de práticas sustentáveis nas propriedades. No Cerrado Mineiro, onde o café é o principal motor econômico, a presença feminina na governança ambiental reforça o compromisso do território com um modelo produtivo sustentável e resiliente.
A Rede de Mulheres Construtoras de Paisagem Regenerativa do Cerrado Mineiro é, portanto, um exemplo concreto de como o agro pode unir equidade, conservação e rentabilidade em um mesmo propósito.