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Brasil pode ser referência global em carne de alta qualidade

Imagem: Pexels.com
Imagem: Pexels.com

Por Antônio Pitangui de Salvo, produtor rural, engenheiro agrônomo e presidente do Sistema Faemg Senar

Publicado originalmente no perfil oficial da Faemg Senar no LinkedIn

Desde a chegada dos primeiros zebuínos vindos da Índia, há cerca de um século, o Brasil iniciou uma transformação que o levaria à liderança mundial na produção de carne bovina. Hoje, o país é o maior exportador da proteína e, em 2025, alcançou também a posição de maior produtor global, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

Raças como Nelore, Gir e Guzerá foram moldadas ao longo de décadas por criadores brasileiros que, com técnica, conhecimento e visão, consolidaram o Brasil como potência pecuária. Avanço que ganhou ainda mais consistência com os programas de melhoramento genético, especialmente o PMGZ (Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos), conduzido pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ).

Os resultados são evidentes. Hoje, os animais zebuínos apresentam ganho de peso comparável ao das melhores raças europeias — um salto que reposicionou o Zebu, antes visto como exótico, no centro da pecuária moderna.

O desafio agora não é apenas produzir mais, mas produzir melhor. Consumidores, especialmente nos mercados internacionais, estão cada vez mais atentos a atributos como maciez, sabor, padronização e sustentabilidade. Esse movimento abre espaço para agregar valor, conquistar novos nichos e consolidar o Brasil também como referência em carne de alta qualidade.

A pecuária norte-americana enfrenta uma redução no tamanho do rebanho bovino, criando uma janela de oportunidade para o Brasil ampliar sua presença global. Mais do que ocupar espaço, o país tem condições de avançar com produtos de maior valor agregado, fortalecendo a competitividade e diversificando mercados.

Outro aspecto que começa a ganhar protagonismo é o sabor. Estudos iniciais indicam que a carne proveniente de animais zebuínos selecionados pode apresentar características sensoriais diferenciadas e altamente competitivas. Trata-se de um campo promissor, que exige o aprofundamento de pesquisas para identificar linhagens, raças e estratégias de seleção capazes de valorizar ainda mais esse atributo.

Nesse contexto, ganham relevância ações integradas entre instituições, especialmente por meio de eventos técnicos voltados à promoção do conhecimento. Um exemplo é o Conacarne, que teve sua primeira edição em 2025, promovido pelo Sistema CNA/Senar/FAEMG, com apoio da ABCZ, consolidando um espaço de debate qualificado sobre os rumos da pecuária brasileira.

O Brasil já demonstrou, ao longo de sua história, capacidade de evoluir rapidamente quando há coordenação entre produtores, instituições e pesquisa. Por isso, o Sistema Faemg Senar segue ao lado do produtor rural, levando assistência técnica e gerencial até as propriedades, incentivando a adoção de boas práticas, a capacitação e a inovação no campo.