Podcast YouTube
Podcast Spotfy
Slide
Slide

A real performance da agropecuária brasileira

Vista parcial da fachada da Embrapa Solos (Arquivo Embrapa)
Vista parcial da fachada da Embrapa Solos (Arquivo Embrapa)

Ponto de vista pessoal sobre como uma conversa trivial pode gerar conhecimentos e resultar em uma entrevista histórica para o 100PORCENTOAGRO. Em pauta, planejamento, gestão e proposição de políticas públicas setoriais na edificação de uma agricultura sustentável

 

Pauliane Oliveira: advogada, cofundadora da Santoliveira Advogados — Direito, Negócios e Agronegócio. Comunicadora 100PORCENTOAGRO

Freitas e eu nos conhecemos no Congresso Nacional, sentados na bancada para participar do Seminário de Fertilizantes, promovido pela Frente Parlamentar da Agricultura (FPA) e por outras organizações. O papo começou sobre o [não tão bom] cafezinho servido no evento! Ora, da minha parte, como advogada do agro, do seio do Cerrado Mineiro, não era de se esperar outra reação a um cafezinho torra passada, daqueles que comumente encontramos por aí. Freitas, carioca, em tese não tão entendedor de cafés especiais, demonstrou empatia com minhas caras e caretas para o café. Logo descobri outros motivos. Afinal, é da Embrapa [Empresa Brasileira de Agropecuária], e de agro esse distinto senhor sabe muitíssimo bem, como, aliás, seu currículo do pós-doutor revela. 

Podemos dizer que tenho sorte na vida, e adquirir conhecimento assim, em conversas triviais, é quase um dom que carrego. Pois bem, um papo sobre cafés levou ao tema do seminário: fertilizantes, que rendeu assunto sobre insumos químicos, auxílio com contatos necessários no MAPA [Ministério da Agricultura e Pecuária] e uma honrosa entrevista para o 100PORCENTOAGRO. Ah! Esse episódio está carregado de conhecimento!  

A Embrapa Solos está desenvolvendo um projeto muito bacana: o IS-Agro (TED MAPA 450/2021), em parceria com a Embrapa Agrobiologia, Embrapa Meio Ambiente e o Serviço Geológico do Brasil (SGBCPRM). A ideia é munir os órgãos governamentais, notadamente o MAPA de informações estratégicas por meio de indicadores agro-socioambientais capazes de avaliar a real performance da agropecuária nacional, subsidiando os processos de planejamento, gestão e proposição de políticas públicas setoriais na edificação de uma agricultura sustentável que possa elevar o país a uma posição de destaque no cenário internacional.

Contar com a seriedade do trabalho da Embrapa é esperar por índices inéditos para avaliar a sustentabilidade da agropecuária nacional. O projeto irá avaliar e adaptar as metodologias dos indicadores propostos por instituições internacionais, como Indicadores Agroambientais/OCDE e Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030/ONU.

Todos esses indicadores e índices deverão ser processados de modo automático e atualizados em um ambiente digital (Módulo IS-Agro) e disponibilizados, na forma de dashboards, por meio de um serviço web consumido pelo Observatório da Agropecuária Brasileira, Geoportal Pronasolos ou qualquer outro veículo institucional de disponibilização de dados e informações. 

Tudo isso beneficiará o setor como um todo, mas ajudará aos produtores de forma mais individualizada também. 

Comunicar nosso agro é uma missão e tanto, e devemos fazer isso dentro e fora da bolha. E enquanto a pesquisa segue, a Embrapa conta com a ajuda dos produtores rurais. Informações sobre cultura e manejo serão muito úteis para a pesquisa e podem auxiliar com que os resultados sejam o mais próximos da realidade possível. Consultas à equipe do projeto IS-Agro e inscrição para participar no esforço Geo-ABC – monitoramento da adoção de sistemas conservacionistas, podem ser direcionados ao e-mail:  isagro.indicadores@gmail.com.

Saiba mais sobre o projeto, e aproveite também pra ouvir esse episódio especial com o pesquisador da Embrapa, Pedro Luiz de Freitas. 

Dentre vários insights importantes, concluo com um que despertou a atenção: o produtor brasileiro, no passado, foi ousado ao adotar uma agricultura conservacionista e hoje, de tão comuns que são para nós as nossas práticas, nos esquecemos que já praticamos uma agricultura sustentável. Nos esquecemos, mas precisamos relembrar e fazer com que o mundo conheça a agricultura brasileira. E o projeto IS-Agro pode contribuir muito com isso.