A Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado conquistou o primeiro lugar na categoria de integração socioambiental na cadeia de suprimentos. O reconhecimento destaca o Protocolo ECO e a liderança regional em sustentabilidade
A Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer) é vencedora do 3º Prêmio ESG – 2026, com classificação “Ouro” na categoria “Integração de ESG na Cadeia de Suprimentos”, valorizando iniciativas que fomentam a implementação de práticas de governança socioambiental em toda a cadeia de suprimentos, promovendo sustentabilidade desde a produção até a entrega. O primeiro lugar foi obtido com o case “Da produção convencional à cadeia de suprimentos regenerativa: a jornada ESG da Expocacer”, embasado no Protocolo Expocacer Controlled Origin (ECO) da cooperativa. A condecoração será recebida no dia 16 de junho, em São Paulo (SP), dentro da programação do 3º Congresso Nacional de ESG, realizado pela Associação Brasileira de Gestão Corporativa e pela Associação Brasileira de ESG, idealizadora da honraria.
Para Simão Pedro de Lima, diretor presidente executivo da Expocacer, essa condecoração é motivo de honra e coroa os princípios e propósitos da cooperativa e de seus associados, alçando a agremiação a patamares elevados e de referência de gestão, nos mesmos níveis de outros gigantes dos setores público e privado, como Vale, Itaipu Parquetec, STIHL, Alcoa, Beto Carrero World, Petrobras e Caixa Econômica Federal.
“O Prêmio ESG é o maior reconhecimento do setor no Brasil, enaltecendo e divulgando as melhores práticas de governança socioambiental e tornando os cases vencedores em modelos para o mercado. Sua envergadura transcende a área da sustentabilidade e reconhece nossa atuação ambiental, com foco na regeneração do meio ambiente; social, fortalecendo a responsabilidade das pessoas e garantindo ambientes dignos e inclusivos; e de governança, ao gerarmos valor com equilíbrio e visão de futuro que garantem sustentabilidade financeira a cooperados e cadeia produtiva. Gigantes de todos os setores disputam essa honraria e o fato de a Expocacer ter vencido sua categoria eleva a cooperativa ao mais alto nível de gerência e gestão”, celebra.
Conforme o diretor presidente executivo, a honraria reconhece a liderança da cooperativa com iniciativas de ESG inovadoras e eficazes, fomentando uma cultura de transparência e responsabilidade na organização, alinhada aos princípios da governança socioambiental, ampliando a conscientização sobre a importância dos critérios socioambientais e suas implicações para o futuro das associações e da sociedade.
“Por meio de nossa atuação, mais do que incentivar o cultivo responsável de café e valorizar as pessoas e suas histórias, buscamos ser inspiração. E acreditamos que o Prêmio ESG pode ser mola propulsora nesse sentido a outras instituições e profissionais, incentivando a adoção de práticas da governança socioambiental em seus modelos de gestão”, projeta
A respeito do Protocolo ECO da Expocacer, a gerente Técnica de Sustentabilidade da cooperativa, Farlla Gomes, explica o funcionamento do sistema, conectando produtores, certificações, mercado e requisitos regulatórios em um único ecossistema de valor. O mecanismo permite o avanço gradual dos cooperados nos critérios socioambientais e amplia o acesso a mercados exigentes.
“O prêmio, nesse sentido, reconhece o trabalho desenvolvido pela cooperativa para integrar sustentabilidade, governança e desenvolvimento econômico em toda a cadeia produtiva do café, com iniciativas que geram transformações estruturais em todo o segmento ao promover impacto coletivo e desenvolvimento regional sustentados em pilares como capacitação técnica contínua dos cooperados; monitoramento de indicadores socioambientais e de governança; gestão de riscos ESG em toda a cadeia de suprimentos; e fortalecimento da rastreabilidade e da transparência das operações”, explica.
A gerente afirma a utilização de bases robustas de dados para validação de conformidade, com destaque para soluções permitindo maior abrangência de informações e emissão de protocolos. “O ECO, por exemplo, é um programa exclusivo que assegura boas práticas produtivas, responsabilidade socioambiental e transparência ao longo de toda a cadeia, sendo reconhecido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) no Programa de Boas Práticas Agrícolas e alinhado às diretrizes da Plataforma Global do Café, com metodologia validada por grandes players globais ao atender às exigências dos mercados mais rigorosos no mundo, em especial a Europa”, anota.
Farlla Gomes celebra a exatidão das iniciativas voltadas aos critérios ESG desenvolvidas pela Expocacer, citando o ineditismo como primeira cooperativa no mundo a possuir o selo de Certificação em Cafeicultura Regenerativa e o apoio aos cooperados em parcerias focadas no avanço da descarbonização da cafeicultura por meio da ampliação de práticas regenerativas e da arborização das lavouras de café, além do Protocolo ECO.
“A cooperativa vem estruturando um modelo que conecta produtores rurais a oportunidades de geração de créditos de carbono, transformando serviços ambientais em uma nova fonte de renda e agregação de valor para a cadeia produtiva. A iniciativa contribui para a compensação de emissões de gases de efeito estufa, ao mesmo tempo que fortalece a adaptação das propriedades rurais aos desafios impostos pelas mudanças climáticas”, revela.
Conforme a especialista, a adoção de sistemas mais biodiversos e resilientes promove benefícios ambientais relevantes, incluindo o aumento do estoque de carbono nas propriedades, a recuperação da biodiversidade, a melhoria da saúde do solo, a conservação dos recursos naturais e a proteção das lavouras contra eventos climáticos extremos.
“Além da comercialização de créditos de carbono, a Expocacer desenvolve parcerias com importantes indústrias e empresas comprometidas com metas de sustentabilidade e redução de emissões e, por meio desses programas, os cooperados are reconhecidos financeiramente pelos resultados alcançados, recebendo incentivos e prêmios de carbono que valorizam a adoção de práticas regenerativas e fortalecem a competitividade da cafeicultura sustentável”, conta a gerente.
Farlla Gomes completa apontando a integração entre sustentabilidade, geração de renda e ação climática, demonstrando como a transição para uma agricultura de baixo carbono cria oportunidades concretas aos produtores, fortalecendo a posição da Expocacer como referência em inovação, agricultura regenerativa e construção de cadeias de suprimentos mais resilientes e sustentáveis
“O recebimento desse prêmio, dessa forma, é um reconhecimento muito relevante a nós, pois evidencia que percorremos um caminho correto em nível de excelência. Não à toa, vencemos a categoria concorrendo com grandes empresas, como Natura, Petrobras, Syngenta, COFCO, entre outras”, comemora.
Resultados comerciais e liderança em cafeicultura regenerativa
As exportações de cafés certificados pelo Protocolo ECO tiveram início em janeiro de 2026 e acontecem ao longo de todo o ano, reforçando a continuidade da estratégia comercial da Expocacer. Desde o início, a cooperativa remeteu oito contêineres ao exterior, correspondendo a 2.720 sacas de 60 kg de café. O volume teve como destino a Suécia, onde o produto passa por processo de torrefação, atendendo a um mercado exigente em termos de qualidade, rastreabilidade e sustentabilidade.
“O Protocolo ECO se destaca por reunir atributos essenciais para atender às exigências do mercado, garantindo origem controlada, com rastreabilidade completa da propriedade à exportação. A metodologia também assegura sustentabilidade comprovada, alinhada a critérios ambientais, sociais e econômicos, além de plena conformidade regulatória, cumprindo as principais legislações e exigências globais”, explica Farlla Gomes.
Ao contar com validação de grandes compradores, incluindo torrefadores globais, a iniciativa contribui para a valorização do produtor rural ao reconhecer e evidenciar práticas responsáveis adotadas no campo. A gerente da cooperativa salienta o avanço na forma como os cooperados da Expocacer produzem seus cafés e entregam valor ao mercado.
“Mais do que um diferencial competitivo, o programa enaltece o comprometimento nosso e de nossos cooperados com sustentabilidade, rastreabilidade e transparência em todo o processo produtivo. Ao avançarmos nas exportações, além de aumentarmos as parcerias globais, contribuímos para fortalecer o papel do Cerrado Mineiro como Denominação de Origem de cafés sustentáveis e com excelência em qualidade”, atesta.
Pioneira mundial na certificação em cafeicultura regenerativa, a Expocacer consolidou protagonismo na promoção de uma agricultura sustentável e resiliente, tornando-se a primeira cooperativa do mundo, em 2023, a conquistar a certificação Regenagri, reconhecendo o compromisso de seus cooperados com práticas voltadas à saúde do solo, conservação dos recursos naturais e mitigação das mudanças climáticas. Reforçando a trajetória, a Expocacer também conduziu auditorias dos padrões Sustainable Agriculture Standard (SAS) e Regenerative Agriculture Standard (RAS) da Rainforest Alliance, ampliando o alinhamento de sua cadeia produtiva às exigências socioambientais dos mercados internacionais.
“Essas certificações atestam a adoção de boas práticas relacionadas a gestão das propriedades, rastreabilidade, conservação ambiental, condições de trabalho e agricultura regenerativa, fortalecendo sistemas produtivos mais resilientes, produtivos e sustentáveis”, expõe Farlla Gomes.
Além das propriedades certificadas, a Expocacer assegura a integridade e a rastreabilidade dos cafés regenerativos ao longo de toda a cadeia, desde o recebimento e o armazenamento até a comercialização, apoiada por iniciativas como uso de energia renovável, coleta seletiva e processos robustos de controle.
“O reconhecimento conquistado com o 3º Prêmio ESG – 2026 reforça o compromisso da cooperativa em gerar valor para seus cooperados, ampliar oportunidades de mercado e posicionar o Cerrado Mineiro como referência global em sustentabilidade e regeneração na cafeicultura”, finaliza.
Atualmente com 19,4 mil hectares de cafés regenerativos e meta para chegar a 25 mil em 2027, a Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado é a primeira no mundo a possuir o selo de Certificação em Agricultura Regenerativa. Com faturamento aproximado de R$ 3 bilhões em 2025, a Expocacer representa 760 cafeicultores e é uma das seis cooperativas componentes da governança da Região do Cerrado Mineiro, primeira Denominação de Origem para café no Brasil. A região consiste em uma Indicação Geográfica (IG) abrangendo 55 municípios e conta com a participação direta de mais de 4.500 produtores, distribuídos em 250 mil hectares de área plantada, território demarcado para a produção de um café com características únicas.
Os cafés cultivados pelos cooperados da Expocacer possuem origem controlada por meio de governança ativa, caracterizando-se por áreas demarcadas e protegidas (IGs), produção controlada, alta qualidade, rastreabilidade, sustentabilidade e impactos ambiental e social positivos à região. O café é produzido com base nos pilares “Ambiental”, focado na regeneração do meio ambiente; “Social”, fortalecendo a responsabilidade das pessoas e garantindo ambientes dignos e inclusivos; e de “Governança”, gerando valor com equilíbrio e visão de futuro para garantir sustentabilidade financeira a cooperados e cadeia produtiva.