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VBP agropecuário mineiro atinge recorde de R$ 167,8 bilhões com força do café

Crédito: Mateo Arteaga/Pexels
Crédito: Mateo Arteaga/Pexels

O faturamento do campo em Minas Gerais cresceu 13,5% em 2025. O desempenho das lavouras de café e soja, somado à estabilidade da pecuária, consolidou o maior valor da história para o setor no Estado

O encerramento do ano de 2025 trouxe um marco histórico para o campo com o VBP agropecuário mineiro alcançando R$ 167,8 bilhões. O montante representa um avanço de 13,5% na comparação com o ciclo de 2024, confirmando as expectativas de analistas e órgãos oficiais. Este indicador funciona como um termômetro da receita bruta dentro das propriedades rurais, calculada a partir do volume produzido e dos preços praticados no mercado.

A metodologia do levantamento utiliza dados cruzados do Ministério da Agricultura e Pecuária, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP). O resultado reflete a capacidade de geração de renda imediata dos estabelecimentos rurais após a comercialização das safras e plantéis.

Café impulsiona o crescimento do VBP agropecuário mineiro nas lavouras

O segmento agrícola foi o principal motor da economia rural no último ano. As lavouras somaram R$ 112,7 bilhões, o que equivale a 67% de todo o faturamento do setor em Minas Gerais. Dentro deste cenário, a cafeicultura apresentou o desempenho mais expressivo. Conforme explica a assessora técnica da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), Amanda Bianchi, “o café foi o destaque entre as culturas que contribuíram para essa alta no rendimento”.

Os números confirmam a análise: a receita do café fechou em R$ 58,7 bilhões, registrando uma valorização de 47%. “O valor alcançado representou 35% de todo o VBP do agro mineiro ”, detalha a assessora da Seapa. Além do café, a soja consolidou sua relevância ao atingir R$ 18,8 bilhões, crescimento de 12%. O milho também fechou o período com saldo positivo de 17%, somando R$ 7,7 bilhões.

No setor de proteína animal, o balanço anual foi de crescimento generalizado. O segmento pecuário faturou R$ 55,1 bilhões, uma alta de 8% sobre o ano anterior. A carne bovina liderou a arrecadação com R$ 18,1 bilhões e incremento de 14%. O leite empatou em faturamento bruto com a bovinocultura de corte, registrando os mesmos R$ 18,1 bilhões, mas com uma variação mais modesta de 1%.

Outras cadeias produtivas também mostraram fôlego. A carne suína registrou R$ 7,8 bilhões em faturamento, com elevação de 12%, enquanto a produção de ovos saltou 16%, chegando a R$ 2,7 bilhões. O frango contribuiu com R$ 8,3 bilhões, subindo 5%.

Apesar do recorde global, o relatório aponta retração em culturas específicas. A cana-de-açúcar recuou 8% em rendimento. Quedas mais acentuadas foram sentidas na batata-inglesa (-53%), arroz (-31%), feijão (-29%) e mandioca (-26%). Banana, laranja e uvas também encerraram o ciclo com faturamento inferior ao de 2024, evidenciando a seletividade do mercado no último ano.