YouTube

Remediação de solos agrícolas e urbanos: o remédio certo para o paciente certo

POR DIEGO SIQUEIRA — Anos atrás, ao analisar um laudo com teor elevado de cromo (Cr), ouvi a pergunta: “Então precisa remediar?”

Hoje eu responderia diferente. A primeira pergunta não é “qual o número?”, mas sim: qual a origem e o comportamento desse elemento nesse ambiente?

Quando essa etapa é ignorada, os custos podem ser altíssimos. Programas internacionais de remediação somam bilhões de euros. Em média, variam algo entre R$ 900 mil e R$ 8 milhões por hectare, dependendo do solo, profundidade e contaminante.

Por isso, antes de intervir, é essencial compreender a mineralogia do solo, ou como chamamos: Índice TA – Tipologia das Argilas.

Estudos recentes com bioMOFs, com participação da Profa. Liane Rossi e do Prof. José Marques Jr., mostram avanços relevantes no desenvolvimento de soluções mais sustentáveis e econômicas para remediação de biomas. Em solução com Cr, a remoção saltou de 10% para 25% entre 8 h e 16 h — aumento de 2,5 vezes em 8 horas.

Em solo com Índice TA específico, após 90 dias:

  • 67% de redução (controle ~12 mg kg⁻¹ – baixo teor Cr)
  • 56% de redução (controle ~52 mg kg⁻¹ – teor médio Cr)
  • 35% de redução (controle ~100 mg kg⁻¹ – alto teor Cr)

Em outro projeto, também com participação da UNESP e Grupo de Pesquisa CSME para definir linhas de referência de ETEs (elementos potencialmente tóxicos), o valor de cobre (Cu) no solo da mata com Índice TA específico foi 21 mg/kg, enquanto na área cultivada na mesma classe de TA foi de 9,8 mg/kg, 53% menos. Para cromo (Cr), a mata apresentou cerca de 12 mg/kg e a área cultivada 7,5 mg/kg, 36% menos. Ou seja, nem todo valor acima de um número orientador significa contaminação antrópica.

Interpretar apenas a concentração absoluta, sem considerar a assinatura mineralógica via Índice TA, pode levar tanto à superestimação quanto à subestimação de risco.

Esse raciocínio dialoga com o documento “Estratégias – Contribuições para definição de metas de redução e compensação de emissões de gases de efeito estufa”, apoiado por instituições como a CETESB – Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, UNICA – União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia, ABIOVE – Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais, InvestSP, OAB SP entre outras entidades públicas e privadas.

O documento reforça a importância das peculiaridades do solo, destacando que suas condições naturais e fatores intrínsecos são centrais nas estratégias climáticas. Se esses fatores que são determinantes para o carbono, também são essenciais para a remediação e a decisão técnica.

Veja todas as referências na publicação original!

E quando conectamos solo, água, produção e saúde humana, entramos no conceito de “Uma Só Saúde”: decisões ambientais mais precisas reduzem riscos ecológicos, sanitários e econômicos ao mesmo tempo. Diagnóstico correto não é custo — é estratégia.