Relatório da PwC Agtech Innovation demonstra que a participação das mulheres eleva a visão estratégica nas propriedades. Especialista Lorena Mangabeira analisa o impacto das redes de apoio na produtividade rural
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Os dados completos revelam insights profundos sobre o futuro da gestão no campo e como investidores e produtores podem se beneficiar de uma estrutura mais diversa.
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Protagonismo feminino no agronegócio: Visão estratégica e impacto real!
O protagonismo feminino no agronegócio brasileiro deixa de ser uma tendência para se consolidar como um pilar de sustentabilidade e competitividade. De acordo com a terceira edição do relatório “Protagonismo e impacto: a presença das mulheres no agronegócio brasileiro”, realizado pela PwC Agtech Innovation, a diversidade de gênero atua como motor de reinvenção no setor. Dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) reforçam esse cenário, indicando que as mulheres já administram cerca de 947 mil propriedades rurais, o que representa 30% da força de trabalho no campo.
A especialista em gênero no meio rural e conselheira editorial do 100PORCENTOAGRO, Lorena Mangabeira (foto), participou da análise dos dados e destaca que a mudança é profunda. “Hoje foi lançado o report ‘Protagonismo e Impacto: a presença das mulheres no agronegócio brasileiro’ da PwC Agtech Innovation. Fui convidada para analisar e a contribuir como especialista de gênero no meio rural no relatório”, explica a mentora. Segundo Mangabeira, o setor vive um momento de transição em que o foco reside na ocupação de espaços de decisão. “Quando falamos de mulheres no agro, não falamos apenas de representatividade, falamos também ocupar o lugar de visão estratégica e inovação”, afirma.

Apesar do avanço, o relatório aponta que obstáculos estruturais ainda limitam a expansão plena dessa força de trabalho. Em 45% das propriedades e empresas consultadas, a tomada de decisão final permanece centralizada exclusivamente em figuras masculinas. Além disso, 73% dos respondentes acreditam que homens e mulheres não possuem as mesmas oportunidades de crescimento no setor. Entre as principais queixas femininas, figuram a falta de reconhecimento e o desafio de equilibrar a vida pessoal com as demandas profissionais.
Contudo, a percepção de competência revela um diferencial competitivo. Enquanto 16% dos homens acreditam contribuir de forma superior em inovação e visão estratégica, esse índice sobe para 33% entre as mulheres. Elas também demonstram maior inclinação para habilidades de gestão humanizada, como liderança de pessoas e negociação. Esse conjunto de capacidades é fundamental para a longevidade das empresas rurais.
Impacto na produtividade e práticas regenerativas
O fortalecimento do protagonismo feminino no agronegócio reflete diretamente na eficiência operacional e na adoção de novas tecnologias. Lorena Mangabeira observa que “o bem-estar da produtora e das equipes impacta diretamente a produtividade, a sucessão, o engajamento e até a adoção de práticas regenerativas”. Para a especialista, a pergunta que o mercado deve fazer agora é: “quanto potencial ainda estamos deixando de liberar?”.
A formação de redes femininas surge como uma solução prática para romper o isolamento no campo. Essas estruturas oferecem apoio, visibilidade e estabelecem modelos reais de liderança que inspiram novas gerações. Se a resiliência e a sustentabilidade são as competências mais urgentes para o agro moderno, a ampliação do espaço feminino nas decisões estratégicas torna-se o caminho natural para a evolução do ecossistema de negócios.