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Produção de feijão em Minas Gerais cresce 8,6% e consolida liderança regional

Foto: Divulgação FAEMG
Foto: Divulgação FAEMG

Volume estimado para a safra 2025/26 deve atingir 502,8 mil toneladas. Estado detém a segunda posição no ranking nacional e concentra quase 17% da oferta brasileira do grão

Direto ao Ponto, para quem está sem tempo de ler agora

  • Crescimento em Minas: A safra 2025/26 deve registrar alta de 8,6% na produção estadual, totalizando 502,8 mil toneladas.
  • Liderança: O estado é o maior produtor do Sudeste e o segundo maior do Brasil, detendo 16,9% da participação nacional.
  • Contraste Nacional: Enquanto Minas cresce, a produção nacional deve recuar 0,5% devido à redução de área cultivada, embora a produtividade média suba 1,5%.
  • Polo Produtor: O município de Unaí segue como o principal destaque mineiro, especialmente pela força da safra irrigada.
  • Mercado e Preços: A saca do feijão carioca no Triângulo Mineiro saltou de R$ 179,00 (média de 2025) para R$ 225,45 no início de 2026, impulsionada pelos estoques baixos.
  • Alerta Sanitário: O setor se mobiliza para criar um novo vazio sanitário visando combater a mosca-branca, transmissora do vírus do Mosaico Dourado.

O cenário do feijão em Minas Gerais

Neste dia 10 de fevereiro, o setor celebra o Dia Mundial do Feijão em um momento de otimismo para o campo mineiro. Alimento central na dieta nacional e pilar da agricultura familiar, o grão demonstra resiliência técnica. A produção de feijão em Minas Gerais deve registrar uma expansão de 8,6% no ciclo 2025/26, com volume projetado em 502,8 mil toneladas, reforçando a posição do estado como o principal fornecedor da Região Sudeste.

De acordo com Mariana Marotta, analista de agronegócios do Sistema Faemg Senar, os indicadores mineiros superam a média federal. Enquanto o país projeta um recuo de 0,5% na produção total — devido à redução de 1,9% na área cultivada —, o território mineiro segue o caminho inverso. “O estado mantém uma trajetória de relativa estabilidade produtiva ao longo da última década, o que garante a liderança na Região Sudeste e a segunda colocação no ranking nacional, com cerca de 16,9% da produção brasileira de feijão”, afirma a especialista.

O desempenho positivo no estado está atrelado ao ganho de eficiência nas lavouras. O calendário produtivo mineiro se divide em três etapas distintas, permitindo oferta constante ao mercado. A safra das águas, colhida entre novembro e fevereiro, representa o maior volume, com 45,3% do total estadual. A segunda safra ocorre entre dezembro e março, seguida pelo ciclo de inverno ou irrigado, que transcorre de abril a outubro.

Neste cenário, o município de Unaí sobressai como o maior polo produtor. A utilização de sistemas irrigados na região garante maior regularidade produtiva, protegendo o cultivo das oscilações climáticas típicas do período seco e assegurando a qualidade do grão tipo carioca, o mais consumido no país.

Desafios fitossanitários na produção de feijão em Minas Gerais

Apesar dos números favoráveis, o setor enfrenta obstáculos severos para manter a rentabilidade. A pressão da mosca-branca, vetor do Mosaico Dourado do Feijoeiro, gera perdas de produtividade significativas. A gravidade da situação mobilizou produtores e a Comissão Técnica de Grãos do Sistema Faemg Senar, que articulam junto à Embrapa Arroz e Feijão e à CNA a implementação de um novo vazio sanitário para a cultura.

Além da questão sanitária, o produtor lida com custos elevados de insumos e a necessidade de investimentos em tecnologia e gestão de riscos. A manutenção da sustentabilidade econômica exige precisão no manejo, especialmente diante da redução global de área plantada observada em outras praças produtoras.

O reflexo da oferta restrita e dos estoques baixos é sentido diretamente nos preços. No Triângulo Mineiro, o valor médio da saca de feijão carioca (peneira 8,0 a 8,5) saltou de R$ 179,00, em 2025, para R$ 225,45 nos primeiros dias de janeiro de 2026. Mesmo com o progresso da colheita da primeira safra, a tendência de preços firmes persiste, impulsionada pela menor disponibilidade de grãos de qualidade no mercado nacional.